POESIA EM ESTADO SÓLIDO


29/12/2005




Joelma



Fria e densa núvem de dor
Em meus olhos se faz real
Vejo a vida, tão bem vivida.
Desfazendo-se feito vela em castiçal.


É, a sala ao lado já se foi.
E já não tarda o elemento
a minha vida invadir
Alô, o telefone não funciona.
Socorro! Alguém pode me tirar daqui?


Que besteira, já não adianta mais gritar.
O meu destino bobo se encerra aqui
Só sinto mesmo pelos destinos que ficaram
Dos que estavam comigo quando chorei
Ou quando sorri


Não sei o que me espera ao cruzar a ultima porta
O que sei é que quando tudo se acalmar
Restarão boas lembranças
E eu estarei morta


O calor já não mais me incomoda
Minha pele perdeu o tato
No meu coito triste com a morte
Dois segundos restam para se consumar o ato


Deixo um beijo para a minha sobrinha
Que na terça vi pela ultima vez
Vai crescer sem conhecer a tia
Que amarga agora a dor da vida que se desfez


Daqui de cima já vejo o meu corpo
Que o fogo impiedoso consumiu
Sinto uma paz que não combina com o que houve
Sou agora escombro de uma vida que ruiu



Cleones

Escrito por .'.M@RX.'. às 17h11
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